8,8 milhões de brasileiros foram afetados por fake news em 2018

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O problema das fake news é cada vez maior e preocupante. Dois estudos divulgados nesta segunda mapeiam as atitudes, tendências e as consequências do consumo de notícias falsas, inclusive no Brasil. Segundo dados do Relatório de Segurança Digital, produzido pelo dfndr lab, laboratório da PSafe especializado em cibercrime, mais de 2,9 milhões de acessos a fake news foram impedidos, entre janeiro e março deste ano, pelo seu sistema de segurança. No entanto, a estimativa do laboratório é que o número de pessoas impactadas pelas notícias falsas seja de 8,8 milhões em todo o território brasileiro.

Na comparação com o quarto trimestre de 2017, o crescimento na disseminação de conteúdos falsos foi de quase 12%, sendo o WhatsApp o meio favorito para esta proliferação. Para o laboratório de segurança, 95,7% das fake news tiveram o aplicativo de mensagens como disseminador.

Os dados do relatório apontam que três em cada quatro usuários que acessaram notícias falsas no 1º trimestre são das regiões Sudeste (47%) e Nordeste (28%) do País. Em seguida, vêm as regiões Norte (10%), Sul (8%) e Centro-Oeste (7%). Além disso, mais de 55% de todas as fake news bloqueadas estavam concentradas em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. “O fato de as notícias falsas dependerem de uma geração de escala relevante – atingindo um número de pessoas elevado em um curto período – favorece sua proliferação em centros com grandes populações”, explicou o diretor do laboratório, Emílio Simoni.

Uma característica marcante das fake news no Brasil é o apelo a temas populares. Entre as principais temáticas abordadas pelos cibercriminosos, destaque para notícias atreladas a temas de saúde, somando aproximadamente 41% dos artigos. Em seguida, aparecem política (38%) e celebridades (18%). Além disso, os hackers adotam uma redação apelativa e até sensacionalista, com o objetivo de causar a indignação do leitor e, como reflexo, compartilhamento do dado com a finalidade de alerta.

“O criminoso ataca uma das características mais comuns ao mundo digital, que é a socialização. Ao identificar uma notícia polêmica, muitas vezes o mecanismo de defesa do internauta é compartilhá-la, de forma a defender uma causa ou combate-la, sem se dar conta de que, na verdade, está contribuindo para que mais pessoas acreditem em algo que não é verídico”, apontou Emilio Simoni.

o ano de 2018 ainda poderá ser marcado por dois potenciais focos de fake news: Copa do Mundo e eleições presidenciais. “As fake news têm grande poder de manipular e influenciar a opinião pública ao fazer a população crer em algo inverídico. Com a aproximação de grandes eventos, prevemos crescimento de mais de 50% no número de bloqueios a acessos para o próximo trimestre” diz Simoni.

O alerta é replicado também por Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, um dos profissionais ouvidos pelo time do dfndr lab para o Relatório de Segurança Digital. “Notícias mentirosas, calúnias, todo tipo de discurso de ódio ou até mesmo piadas e falsificações sempre estiveram presentes na vida política dos países. Mas como agora estamos falando da mentira sendo repassada em uma escala industrial, as notícias falsas podem interferir nos processos decisórios de uma sociedade democrática” afirma. Ainda segundo o professor, o fato de existir uma indústria que remunera aqueles que conseguem mais cliques, likes, audiência, engajamento e replicação em conteúdos agrava o cenário, pois tornam a produção em escala de fake news um bom negócio.

Tendências - Já o estudo global "In News We Trust", da Teads, entrevistou 16 mil consumidores em oito países - dois mil deles no Brasil - para descobrir as atitudes e as tendências sobre o consumo de notícias e a publicidade, em meio ao aumento das notícias falsas, chamadas de fake news.

Segundo o estudo, globalmente, a pulverização das fake news aumentou em 75% a probabilidade das pessoas procurarem notícias em sites confiáveis e de qualidade, sendo que, no Brasil, esse número chega a 90%. Este fator também é crucial quando se trata de publicidade - com mais de 45% dos entrevistados citando a qualidade do conteúdo como a principal característica que influencia a lembrança de um anúncio.

O consumo de notícias continua desempenhando um papel fundamental na vida dos leitores que, em sua grande maioria, procuram este tipo de conteúdo entre uma e cinco vezes ao dia, usando principalmente a internet. No mercado brasileiro, 32% dos entrevistados mantêm essa estatística, enquanto 35% tem uma frequência de consumo de mais de seis vezes ao dia. A leitura de notícias acontece em todos os dispositivos: nos EUA, por exemplo, 50% dos consumidores são mais propensos a ler notícias em seu laptop/ computador, enquanto no Reino Unido essa porcentagem é de 40%. No Brasil, a porcentagem chega a 76%.

Quando comparamos a atenção depositada em notícias veiculadas em outras mídias como jornais, revistas e rádio, a internet é a que mais desperta interesse dos consumidores - 59% dos entrevistados prestam muita atenção às notícias online. Os consumidores afirmaram ainda estarem atentos também à publicidade, com 29% respondendo que notam os anúncios que veem nos sites.

No Brasil, esses números são ainda mais expressivos: 79% dos entrevistados brasileiros afirmam estar fortemente atentos às notícias online, enquanto a televisão retém a atenção de 69% deles. Quando perguntados sobre a sua relação com a publicidade, 51% estão atentos aos anúncios online e apenas 34% reparam nos anúncios impressos. Globalmente, a audiência jovem se lembra e confia em anúncios do meio online.

Incertezas - As redes sociais são consideradas a fonte menos confiável de notícias, bem como de consumo de publicidade e conteúdo de marca. Apesar de representarem uma boa fonte de notícias para 62% dos entrevistados, apenas 11% deles confia no que lê nas mídias sociais, seja anúncio ou conteúdo. Globalmente, os consumidores acreditam que notícias publicadas em sites de relacionamento são sensacionalistas (28%) e falsas (26%), enquanto que as publicações de notícias em publishers de conteúdo são informativas (35%) e precisas (22%).

Os brasileiros também compartilham da opinião que notícias publicadas nas redes sociais são sensacionalistas (30%) e falsas (19%), enquanto o conteúdo dos portais é considerado informativo (48%) e preciso (15%). "Desde a criação, a Teads trabalha com os principais veículos de notícia do mundo. Mais do que nunca, os leitores precisam dos publishers para consumirem reportagens de qualidade de fontes confiáveis", disse Luis Resola, Diretor de Publishing da Teads para América Latina. "Esse estudo valida que os anunciantes devem continuar a abraçar as notícias como uma maneira de associar a sua marca a um ambiente de conteúdo autêntico e relevante", completou.

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Jornalista, músico, fotógrafo, marido de Isabela, pai de Arthur, fã dos Beatles e do Iron Maiden. Geek e cinéfilo, também é viciado em seriados e games. Nas horas vagas, pode ser encontrado gravando no homestudio, mexendo na moto, cozinhando ou desmontando algum equipamento eletrônico.