Em 2021 será possível identificar remédios falsos com o smartphone

Já imaginou escanear uma embalagem de medicamento com o smartphone e saber se ele é original, onde e quando foi fabricado, se é roubado ou, pior, falsificado? Em 2021, isso vai se tornar realidade no Brasil, graças a uma iniciativa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Cognizant, que vai obrigar todo o setor farmacêutico a utilizar ferramentas de rastreabilidade de medicamentos.

A tecnologia já está em fase de testes, através de um programa piloto que selecionou cinco laboratórios para estudar, até o final do ano que vem, a aplicabilidade do sistema. Foi o que contou com exclusividade ao Blog do Moreira - durante o SAP Fórum Brasil -, Alexandre Grandi, diretor da área de Healthcare da Cognizant, empresa americana que atua na área de tecnologia e negócios e está trabalhando em conjunto com uma empresa farmacêutica em uma solução baseada no módulo Advanced Track and Trace for Pharmaceuticals (ATTP), da SAP, já adotada em vários países e que está sendo adaptada às exigências da legislação brasileira.

Alexandre Grandi, diretor da Cognizant

"A SAP lançou este módulo em 2015 para suprir uma demanda mundial, que consiste em colocar um número de série único para cada unidade de medicamento, e que este possa ser rastreado ao longo de toda a cadeia de abastecimento. Então, desde o momento em que sai da linha de produção, passa pelo depósito, pelos distribuidores, farmácias ou hospitais até o cliente final, será possível autenticar e verificar as informações e, principalmente, se aquele medicamento é original, a qualquer momento", revelou.

O motivo disso, segundo Grandi, é o enorme risco de roubo e falsificação que existe na indústria farmacêutica. "Existem medicamentos com valor agregado extremamente alto - principalmente para doenças crônicas -, que são alvos constantes de furtos e falsificações. São perdas anuais da ordem de US$ 1 bilhão, sem falar no risco à saúde. Imagine tomar uma droga achando que vai lhe curar e ela ser falsa, não fazer nenhum efeito? Foi para evitar esse arranhão na reputação das marcas e com a preocupação com a saúde das pessoas em mente que a Anvisa pensou em estruturar esta norma", contou.

O programa piloto está em curso. "Cada um dos cinco laboratórios selecionou uma linha de produto e está desenvolvendo suas soluções. No caso da Cognizant, somos parceiros de serviço, implantação e suporte da empresa, que utiliza o ATTP da SAP. temos até abril de 2018 para concluir esta fase, quando a Anvisa vai analisar os resultados e escrever a norma e as empresas terão dois anos para se adaptarem.

Benefícios e segurança

A serialização dos medicamentos promete trazer uma série de vantagens para a indústria farmacêutica. "Além de fornecer suporte para as empresas, vamos ajudá-las a pensar em que outros benefícios elas poderão tirar desta tecnologia. Poderei melhorar meu controle de inventário? Diminuir o risco de fraudes internas e descarte de medicamentos? Otimizar minha logística reversa ou devolução de medicamentos? Vou melhorar minha relação com meus clientes, já que vou saber se meus medicamentos estão chegando corretamente ao destino? Poderei melhorar minhas campanhas comerciais, meus investimentos em marketing? Esta é só uma pequena lista de benefícios acessórios que poderão vir a reboque da adequação à norma", avisou Grandi.

Para uma indústria bilionária como a farmacêutica, é inocência imaginar que a serialização, por si só, vá dar cabo de todas as falsificações - que envolvem não apenas a droga em si mas os números de série nas embalagens. "No quesito segurança, vamos atrelar tecnologias acessórias, como o Blockchain, na certificação digital, para garantir que aquele número gerado seja autêntico. Felizmente, iniciativas semelhantes foram feitas por colegas nossos em outros lugares, de modo que algumas lições já foram aprendidas. Vamos aproveitar essa rede global de conhecimento para aprender com a experiência deles e colocar isso a disposição do mercado brasileiro", concluiu.

 

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Jornalista, músico, fotógrafo, marido de Isabela, pai de Arthur, fã dos Beatles e do Iron Maiden. Geek e cinéfilo, também é viciado em seriados e games. Nas horas vagas, pode ser encontrado gravando no homestudio, mexendo na moto, cozinhando ou desmontando algum equipamento eletrônico.