Pesquisadores da UFPE produzem bioetanol a partir da palma forrageira

Bioetanol

Uma equipe de pesquisadores dos departamentos de Energia Nuclear, Genética e Antibióticos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em parceria com pesquisadores do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), está extraindo bioetanol a partir da palma forrageira, planta da família das cactaceas (cactos). A pesquisa gerou, inclusive, o artigo “Enzymatic hydrolysis of cactus pear varieties with high solids loading for bioethanol production”, que acaba de ser aceito pela Bioresource Technology, revista científica internacional de qualidade A1 - conceito máximo estabelecido pela Capes e com fator de impacto 5.6.

O artigo é assinado pela aluna de mestrado Bárbara Ribeiro Alves Alencar e pelos professores Emmanuel Dutra, Rômulo Simões Cezar Menezes, Marcos Antônio de Morais Júnior e Everardo Valadares de Sá Barreto Sampaio. O texto propõe uma otimização da etapa de hidrólise enzimática, com alta carga de sólidos, para a produção de bioetanol a partir da biomassa de palma forrageira. O trabalho faz parte do esforço dos grupos de pesquisa em Energia da Biomassa, Biologia Molecular e Engenharia Metabólica juntos ao Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Industrial (PPGBiotec) da UFPE direcionado para o projeto, produção de biocombustíveis em regiões de baixa disponibilidade hídrica.

De acordo com o professor Emmanuel Dutra, a idéia da pesquisa é desenvolver estratégias que reduzam os custos da produção de bioetanol de segunda geração, viabilizando o uso de palma forrageira para finalidade. "Os benefícios estão ligados à possibilidade de produção de energia nesses locais, movimentando a economia da região, bem como geração de emprego e renda. O combustível é produzido a partir da fermentação (utilizando micro-organismos) dos carboidratos provenientes da biomassa de palma forrageira, em processo desenvolvido no nosso laboratório", explica.

O grupo de pesquisa trabalha com biomassa de palma forrageira há mais de 20 anos. "No início, as pesquisas estavam direcionadas para o setor da agricultura. Porém, nos últimos anos, o grupo tem se dedicado a explorar a utilização dessa biomassa para fins energéticos, principalmente em regiões nas quais a cana-de-açúcar - principal biomassa utilizada na produção de etanol -, não pode ser cultivada. Deste modo, como mais de 15% do País está em clima árido ou semi-árido, mais regiões do podem ser energeticamente fortes, movimentando tanto a economia regional quanto nacional", revela.

A principal vantagem de estudos como este é que a queima de combustíveis não-fósseis diminui a emissão de gases de efeito estufa, gerando menos poluição e danos à população. "Além disso, a produção do bioetanol movimenta a economia de setores energéticos e da agricultura, já que a biomassa precisa ser cultivada para depois ser processada e seus carboidratos serem convertidos a etanol", avisa Dutra. Apesar disso, ainda é cedo para pensar em um mundo completamente livre dos combustíveis fósseis: "São muitos os interesses político-econômicos envolvidos. Existem previsões que determinam o fim do petróleo, mas elas são incertas e, portanto, não há como definir um prazo. As previsões mais otimistas apontam para participação de 50% de energias renováveis na matriz energética mundial em 2050", conclui.

 

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