Softwares podem simular comportamento e prevenir incêndios

Incêndio

Incêndios são eventos trágicos que ocorrem com frequência no Brasil e no mundo, possuindo um grande potencial destrutivo de patrimônio e de vidas. Sejam eles ocorridos de maneira espontânea ou não, é indiscutível o fato de que precisam de tratamento especial, justamente com o intuito de servirem como fonte de problematização. Desde a tragédia ocorrida na Boate Kiss, em 2013, que matou 242 pessoas e feriu 680 outras, inúmeros trabalhos tematizaram o incêndio como objeto de pesquisa, pensando formas de combatê-lo eficazmente.

Trilhando esta mesma direção, a dissertação de mestrado “Simulação numérica de incêndios em edificações”, defendida por Roberta Tabaczenski de Sá no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFPE, constatou que alguns softwares são capazes de representar adequadamente o comportamento que as temperaturas dos gases provenientes de incêndios desenvolvem. Por consequência, com a ajuda da simulação computacional, as variáveis comuns a incêndios, como temperatura e pressão dos gases emitidos, são previstas, podendo auxiliar na elaboração de projetos que visam à proteção das edificações.

A autora, que foi orientada pelo professor Tiago Ancelmo de Carvalho Pires de Oliveira, atesta a importância da pesquisa, uma vez que, no Brasil, cerca de 1/3 de todos os tipos de incêndios registrados ocorre em edificações. Porém, mais que números, a dissertação procura mostrar que, embora existam estudos na área, é muito difícil construir instalações necessárias em para a realização de experimentos que envolvam construções completas, em escala real. E, devido à tamanha dificuldade, o uso de softwares com capacidade para realizar o mesmo trabalho que modelos reais aparece como opção de melhor custo-benefício, sem a necessidade/demanda de altos investimentos.

DESENVOLVIMENTO - O estudo foi ancorado em duas partes. À primeira, coube  realizar simulações via software Fire Dynamics Simulator (FDS), um programa que permite a obtenção de temperaturas dos gases, temperaturas em objetos sólidos, concentração dos gases, além de representar graficamente o comportamento da propagação de incêndios e movimentação de fumaça em todos os pontos da edificação simulada. Já na segunda parte do projeto, o direcionamento foi a realização de um estudo de caso em área comum a incêndios no estado de Pernambuco, reproduzindo, experimentalmente, um incêndio em um cômodo que representou um dormitório pertencente a residências tipicamente incendiadas na cidade do Recife.

A pesquisadora, apesar de atestar a confiabilidade dos dispositivos utilizados, problematiza o caso, afirmando que existem muitos fatores que inviabilizam a difusão de softwares para este fim. “O principal impedimento se dá porque a difusão dessas ferramentas por parte dos pesquisadores é pouco expressiva e, consequentemente, há escassa disponibilidade de literatura para auxiliar a sua utilização”, afirma. E complementa:  “Além disso, a não existência de formação acadêmica formalizada que direcione ações para o campo de Segurança contra Incêndio no país também influencia negativamente avanços na área.” Por isso, Roberta pontua que, "de maneira geral, o avanço científico-tecnológico fica a cargo do acontecimento de grandes desastres com mortes que causam comoção na sociedade”.

Por Camila Sousa, da Ascom da UFPE.

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