Aplicativo de bate-papo Simsimi é suspenso no Brasil

Simsimi

O aplicativo de bate-papo online sul-coreano Simsimi, criado em 2002 e que possui mais de 50 milhões de downloads, foi suspenso no Brasil na última semana. Segundo blog corporativo da empresa, o app passou a “aprender” e dar respostas impróprias a seus usuários, como ameaças de sequestros e assassinatos. O programa, apontado como perigoso com denúncias de pais viralizadas via redes sociais, foi removido das lojas oficiais de aplicativos do Google e Apple.

Com um visual que atrai crianças e jovens e uso de Inteligência Artificial (IA), a aplicação teve um impacto social bastante negativo no Brasil, explica o comunicado oficial da empresa desenvolvedora. Segundo a advogada, especialista em Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) e professora do Centro Preparatório Jurídico (CPJUR), Roberta Densa, a IA pode ajudar a trazer soluções rápidas e melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas ainda oferece, também, muitos riscos, principalmente em relação a crianças e adolescentes.

“Ao que tudo indica essa inteligência artificial aprendeu palavras de baixo calão e passou a oferecer respostas maliciosas, de ameaças, como assassinato ou sequestros de crianças ou suas famílias”, destaca. “Além do constante monitoramento dos familiares aos conteúdos acessados, o implemento da tecnologia exige maior controle e reflexão sobre segurança e filtros na governança dos dados, com os seus impactos sob a perspectiva de valores éticos”, ressalta a advogada.

Segundo Breno Masi, General Manager da PlayKids, os pais precisam ter cuidado com a idade em que dão equipamentos como smartphones e tablets para os filhos. “A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que somente a partir de 2 anos crianças façam o uso de telas como smartphones e tablets. A partir daí, dar um equipamento para a criança deve ser avaliado pelos pais de acordo com a necessidade das crianças. Não podemos dizer que uma criança precisa de um celular porque gosta de ouvir músicas, assistir a filmes, jogar ou tirar foto, por exemplo. No entanto, muitas crianças passam o dia todo fora de casa, circulando além da escola e, se existe um meio de comunicação capaz de facilitar o acompanhamento desta rotina pelos pais, por que não adotar?”, questiona.

Para este caso, é vital que os conteúdos disponíveis no aparelho sejam adequados à faixa etária da criança e a mediação deve levar em conta os horários presentes na sua rotina, assim como os comportamentos que ela apresenta diante desses conteúdos. “A participação e o acompanhamento dos pais é essencial para que as crianças aprendam a usar as tecnologias de forma responsável”, destaca.

De acordo com Alessandra Borelli, consultora da PlayKids, diretora executiva da Nethics e advogada, atuante em Direito Digital, colocar hora e limite de tempo para as brincadeiras online é fundamental: “É importante combinar com os pequenos a hora certa em que terão que desligar os aparelhos. É igualmente importante que controlem os conteúdos que seus filhos estão expostos, pois há necessidade de um direcionamento quanto a idade e evolução de cada criança”.

Mas e se acontecer um caso comprovado de cyberbullying, como os pais devem agir com a criança? “É muito importante que a criança conte com um canal de comunicação aberto tanto na escola, quanto com a família, para que possa sinalizar a situação que se está passando. A partir daí, a escola e a família devem adotar todas as medidas junto a agressores e possíveis testemunhas, a fim de cessar as ofensas. O desdobramento jurídico deve vir em último caso, quando esgotadas todas as possibilidades de mediação. Na prática, a depender do caso, pode caracterizar, por exemplo, crimes como calúnia, injúria, difamação e ameaça, passíveis de condenações, tanto na esfera civil, quanto na criminal. Lembrando que, civilmente, os pais respondem pelos atos praticados pelos seus filhos até a maioridade”, conclui Alessandra.

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Jornalista, músico, fotógrafo, marido de Isabela, pai de Arthur, fã dos Beatles e do Iron Maiden. Geek e cinéfilo, também é viciado em seriados e games. Nas horas vagas, pode ser encontrado gravando no homestudio, mexendo na moto, cozinhando ou desmontando algum equipamento eletrônico.

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