Faceapp: como funciona e cuidados que se deve ter

Faceapp

Nos últimos dias o Faceapp, um app disponível para Android e iPhone que envelhece os rostos dos usuários contagiou as redes sociais. No entanto, apesar de parecer inofensivo, ele pode entregar informações pessoais dos usuários à parceiros: “Podemos também compartilhar certas informações, como cookies, com parceiros de publicidade. Essa informação permitiria redes de anunciantes, entre outras coisas, a entregar anúncios direcionados que elas creditam que seriam de interesse”, diz o contrato assinado ao clicarmos “aceito” nos termos de uso do app (em faceapp.com/privacy).

Na brincadeira, as pessoas adquiriram um semblante mais velho, assim como o desafio do #10yearschallenge brincou com a aparência nas redes sociais, algum tempo atrás. Trata-se de uma ferramenta baseada em Inteligência Artificial, chamada Reconhecimento Facial, uma das tecnologias mais inovadoras do momento e que a cada dia tem ficado mais precisa.

Softwares como o Faceapp utilizam pontos do rosto humano que não se alteram e são reconhecidos para criar uma composição básica do rosto humano. A partir daí, são feitas mudanças, com diversas projeções. “O programa mapeia e detecta um rosto em formas geométricas e biométricas. Monta um tipo de quebra cabeça para que outros padrões possam ser aplicados em cima daquela imagem, alcançando algo tão impressionante como ficar mais velho ou fazer sugestões de uma criança desaparecida e hoje já é adolescente, por exemplo”, explica Diego Nogare, Cheif Data Officer da Lambda3, empresa referência no setor tecnológico, com foco em soluções digitais.

Mas além da brincadeira divertida, o Reconhecimento Facial traz benefícios muito grandes. A China, por exemplo, já é reconhecida pelo controle social e recentemente prendeu um cidadão identificado no meio de outros 60 mil e, além disso, criou um placar social e uma pontuação, punindo ou recompensando as pessoas por ações tomadas durante a vida e as coisas que faz.

Em casas inteligentes, que utilizam dessa tecnologia, fica programado para que seja enviado notificações caso algum desconhecido tente entrar na sua casa, ou ainda facilitar a entrada de amigos e familiares. E não para por aí. A ferramenta também pode ser usada em lojas com o reconhecimento do seu rosto para pagamento ou canteiros de obra para liberar a entrada de pessoas que estão trabalhando. Estas são algumas situações de onde e como o Reconhecimento Facial pode ser aplicado.

Neste ano, o Brasil já testou durante o carnaval da Bahia e do Rio de Janeiro, o reconhecimento de foragidos da justiça. Mesmo que com alguma imprecisão e algo que precisa ser aprimorado, é um avanço para a segurança e traz agilidade no trabalho das forças de segurança.

“Não podemos esquecer que este avanço está totalmente ligado ao debate sobre proteção de dados. Por isso, a lei de Proteção de Dados Pessoais também conhecida como LGPD, entra em vigor no ano que vem. A tecnologia está caminhando a passos largos e eu vejo como algo benéfico para todos, já que ela vai facilitar e muito a nossa vida”, comenta Diego Nogare.

A legislação visa proteger as pessoas, que são detentores das informações. Entra em vigor em 2020 e as empresas que trabalham com informações dos clientes devem se adequar as exigências, como perguntar sobre ter ou não as informações dos clientes ou não disponibilizar o banco de dados para fins não autorizadas. “Esta simples brincadeira deve ser vista de forma mais séria, para entendermos como o uso da tecnologia pode nos beneficiar, nos proteger e dar agilidade para a tomada de decisão”, conclui Nogare.

Pesquisa – A atenção à informação coletada e utilizada pelos aplicativos como o Faceapp é um cuidado que deixamos de tomar ao utilizar ferramentas online, o que acaba gerando uma sensação de insegurança sobre os dados pessoais. O estudo global Unisys Security Index, que mede anualmente as percepções dos consumidores com segurança em uma escala de 0 a 300, aponta que as preocupações com segurança pessoal (que abrangem roubo de identidade e segurança física nos próximos 6 meses) são as mais altas entre os brasileiros – 200 pontos no ranking. Em segundo lugar, está a preocupação com segurança na internet (que abrange vírus cibernéticos, spams ou hackers e compras online) – 194 pontos no ranking.

A pesquisa destaca ainda que 59% dos brasileiros estão apenas um pouco confiantes de que a Lei Geral de Proteção de Dados vai garantir a segurança de seus dados mantidos por empresas e governos. No caso do aplicativo em questão, os dados coletados são armazenados em servidores nos EUA, país que ainda não tem uma lei específica de proteção de dados, o que dificulta o acionamento da Justiça em caso de vazamento de informações.

No entanto, além da responsabilidade da empresa sobre a privacidade dos dados, o que chama atenção nesse caso é que o comportamento do usuário pode deixá-lo vulnerável e comprometer a sua segurança pessoal.

Sobre Iúri Moreira 704 Artigos
Jornalista, músico, fotógrafo, marido de Isabela, pai de Arthur, fã dos Beatles e do Iron Maiden. Geek e cinéfilo, também é viciado em seriados e games. Nas horas vagas, pode ser encontrado gravando no homestudio, mexendo na moto, cozinhando ou desmontando algum equipamento eletrônico.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*