Seis perguntas (e respostas) sobre a bitcoin

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Criada em 2009 por um programador identificado pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto, a bitcoin é uma moeda digital que ganha espaço e valorização no mercado, e é usada como um meio inovador de pagamento. As bitcoins são controladas por uma rede especial e não dependem de bancos centrais para regulação, o que cria, de certa forma, um cenário de incertezas.

Os especialistas, Reinaldo Bianchi – Professor do Departamento de Ciência da Computação e Hong Yuh Ching – Professor e coordenador do curso de Administração – ambos do Centro Universitário FEI, esclarecem algumas questões-chave sobre como funciona a mais famosa das criptomoedas, a bitcoin.

O que são e como funcionam as bitcoins? Bitcoin é o nome dado à mais famosa moeda digital. Ela foi a primeira criptomoeada a ser criada e surgiu com o intuito de ser utilizada na internet. Seus criadores falavam que a inovação faria pelo dinheiro o que o e-mail fez pelas cartas.

Hoje em dia, existem centenas de criptomoedas, entre elas o Ethereum, o Ripple, e a Litecoin. O Prof. Reinaldo Bianchi explica que essas moedas funcionam com base em criptografia: “uma pessoa tem moedas digitais em sua carteira, e quando quer enviar dinheiro para alguém ou realizar alguma transação utiliza uma senha. Após a validação, é anotado o saque de moedas de uma carteira e o depósito do montante na conta do recebedor do pagamento”, explica.

O professor esclarece, ainda, que o mais importante da tecnologia da Bitcoin é o local onde todas essas transações ficam anotadas: “chamamos de blockchain, que é uma lista que reúne todas as transações realizadas e que fica distribuída em todos os computadores que participam da rede Bitcoin no mundo. Esta lista garante que ninguém possa gastar duas vezes a mesma moeda e que todas as transações sejam devidamente realizadas”.

Para o Prof. Hong Ching, o blockchain revolucionará a segurança digital, não somente das transações monetárias, mas também das informações e dados pessoais e profissionais: “A Bitcoin permitirá reproduzir em pagamentos eletrônicos a eficiência dos pagamentos com cédulas, já que são rápidos, baratos e não precisam de intermediários. Porém, é sempre importante lembrar aos investidores de realizarem uma ampla pesquisa antes de investir em qualquer ICO (Oferta Inicial de Moeda, na sigla em inglês), para evitar o risco de cair em fraudes, pirâmides financeiras ou ataques cibernéticos”.

Como podemos adquirir bitcoins? Uma das formas de conquistar a moeda digital é através de um processo chamado de “mineração”, que valida as transações que ocorrem no blockchain. Para garantir que um bloco de transações não possa ser alterado, é criada uma chave a partir dos dados ali existentes. Para encontrar esta chave é necessário um grande poder computacional, pois ela deve ter características especificas que garantam a confiança nas transações. Ao encontrar uma chave que fecha o bloco, o minerador é recompensado com uma quantidade de bitcoins.

Bianchi ressalta, porém, “que a mineração é apenas a forma como as moedas são criadas. A maneira mais tradicional de adquirir moedas digitais é por meio de uma corretora, onde a pessoa troca reais por bitcoins. Depois de um tempo, o investidor pode usar a mesma corretora para vender as bitcoins.”

O que é possível comprar com a moeda? Hoje, pode-se comprar de tudo: celulares, computadores, hospedagens e passagens aéreas. Depende apenas se o vendedor aceitará a moeda digital.

Mas nem sempre foi assim. A primeira compra feita com a criptomoeda foi de uma pizza, em 22 de maio de 2010. De lá para cá, algumas mudanças na tecnologia têm melhorado a velocidade com que os pagamentos em bitcoin são realizados e diminuído a taxa que é paga por uma transferência. Isto contribuiu para que, no ano passado, a moeda digital tivesse uma valorização de 2 mil por cento.

Como garantir a segurança de quem quer investir em bitcoins? Além do blockchain, que registra toda transação realizada com a criptomoeda, alguns países estão criando uma legislação que obrigue a identificação dos investidores. Por exemplo, no Brasil, ao abrir uma conta em uma corretora para compra de bitcoins, o cliente obrigatoriamente tem que enviar um documento de identidade, CPF e comprovante de endereço.

“O uso de bitcoins em atividades ilícitas e de corrupção ainda existe, mas deve ser dificultado, na medida em que os criminosos deixem de conseguir trocar a bitcoin por outras moedas sem serem identificados”, afirma Bianchi.

O uso de bitcoins representa algum risco para a economia? A digitalização do dinheiro causa uma mudança brusca no relacionamento entre compradores e vendedores, pois, podem ser feitos para qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta, sem limite mínimo ou máximo de valor. Mas a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) recomenda que os investidores fiquem atentos com a atuação de prestadores de serviços sem observância da legislação aplicável e saibam que a moeda pode correr risco de liquidez, ou seja, não encontrar compradores/vendedores para certa quantidade de ativos ao preço cotado. Mas, quaisquer denúncias ou reclamações sobre possíveis irregularidades em tais operações podem ser enviadas por meio dos canais de atendimento ao cidadão.

Qual será o futuro da Bitcoin e como o profissional deve se preparar para lidar com ele? Existe um enorme espectro de previsões sobre o que pode acontecer, desde pessoas que acreditam que o valor da bitcoin chegará a um milhão de dólares em poucos anos, até aqueles que acham que ela perderá totalmente seu valor. “Mais importante que a Bitcoin, os profissionais devem estar preparados para a digitalização do dinheiro e como isso influenciará a produção, o financiamento e o consumo”, conclui Bianchi.

*Via assessoria

Sobre Iúri Moreira 563 Artigos
Jornalista, músico, fotógrafo, marido de Isabela, pai de Arthur, fã dos Beatles e do Iron Maiden. Geek e cinéfilo, também é viciado em seriados e games. Nas horas vagas, pode ser encontrado gravando no homestudio, mexendo na moto, cozinhando ou desmontando algum equipamento eletrônico.

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